O que 16,5 mil jovens brasileiros pensam sobre inteligência artificial, segundo pesquisa da MoveEdu
Publicado em 15 de setembro de 2026

Escrito por Carolina Beggo
Jovens brasileiros e inteligência artificial têm uma relação mais próxima e mais cheia de lacunas do que muita gente imagina. É o que revela uma pesquisa proprietária do Grupo MoveEdu, aplicada pelo Portal do Aluno no segundo semestre de 2025, com 16.496 alunos da Microlins e da Prepara IA, distribuídos por 526 unidades franqueadas em 34 regiões do Brasil. Os jovens já ouviram falar em IA e associam o termo, na maioria das vezes, ao ChatGPT — mas quase três em cada quatro não acompanham nenhum canal sobre o assunto, e menos de 4% já fizeram um curso de IA.
Vale contextualizar quem é esse jovem. A pesquisa reúne alunos de duas marcas do Grupo MoveEdu: Microlins e Prepara IA, que atendem majoritariamente jovens das classes C, D e E — juntas, 81% da população brasileira.
É justamente esse público, historicamente com menos acesso a formação técnica e tecnológica, que está no centro da pesquisa: entender como o jovem enxerga a inteligência artificial ajuda a mapear onde a educação profissionalizante pode reduzir — ou reforçar — a distância entre quem já domina essas ferramentas e quem ainda está descobrindo o que elas fazem.
É esse cruzamento entre jovens brasileiros e inteligência artificial que a pesquisa se propõe a mapear em detalhe. Para entender essa mudança de perspectiva dentro do próprio grupo, vale conhecer como a Prepara Cursos se tornou Prepara IA.
Jovens brasileiros e inteligência artificial: o que pensam sobre o tema?
Para 75,2% dos jovens entrevistados, inteligência artificial é sinônimo de ChatGPT ou assistente virtual. Outros 10,3% já enxergam a IA como algo que faz parte da rotina, e 7,5% ainda associam o termo a robôs de filme. Apenas 2,1% consideram o tema “difícil demais” para entender.
O dado indica que a associação com o ChatGPT já é tão forte que, na cabeça do jovem médio, “inteligência artificial” e “assistente de texto” praticamente se equivalem — um ponto de partida importante para qualquer curso ou conteúdo educacional sobre o tema, que precisa começar mostrando que a IA vai muito além de um chatbot.
O jovem se sente confortável usando tecnologia no dia a dia?
Sim, a maioria. 59% dos jovens dizem se sentir “muito confortáveis” usando tecnologia no cotidiano, e apenas 3% afirmam evitar a tecnologia quando podem. Ainda assim, 21% se descrevem como “mais ou menos” confortáveis e 17% dizem usar “só o básico” — uma fatia relevante que sinaliza espaço para letramento digital dentro da formação desse público.
Quantos jovens já usam ferramentas de IA — e para quê?
A maior parte já experimentou. 39% dos jovens pesquisados já usaram alguma ferramenta de IA para trabalho ou conteúdo pessoal, 18% para aprender algo e 16% dizem usar no dia a dia. Do outro lado, 14% nunca usaram nenhuma ferramenta de IA e 13% só experimentaram uma vez.
Somando as respostas, cerca de 87% dos alunos já tiveram algum contato com IA — mas o uso recorrente e intencional (para aprender ou no dia a dia) ainda é minoritário diante do uso pontual.
Esse padrão é coerente com o retrato nacional: segundo a pesquisa Global Hopes and Fears 2025 da PwC, 71% dos profissionais brasileiros usaram alguma ferramenta de IA no último ano — acima da média global de 54% —, mas apenas 26% usam a tecnologia diariamente. Experimentar é comum; incorporar ao trabalho como hábito ainda é raro, tanto entre profissionais quanto entre jovens em formação.
O jovem acha que IA ajuda a conseguir emprego?
A resposta majoritária é “talvez”. 36% dos jovens acreditam que talvez saber usar IA ajude a conseguir um emprego, 34% dizem que sim, com certeza, 14% nunca pensaram sobre isso e 7% acham que não faz muita diferença.
Ou seja: menos de 4 em cada 10 jovens têm certeza de que a IA é um diferencial de empregabilidade. A maioria está em dúvida — o que aponta para uma oportunidade clara de comunicação e de conteúdo educacional que conecte, de forma concreta, o domínio de IA a resultados práticos no mercado de trabalho. Esse é o tipo de conexão explorada no conteúdo sobre como a educação profissional acelera a entrada no mercado de trabalho.
“Por meio dessa pesquisa, é possível observar que parte significativa ainda expressa dúvidas e curiosidade, mas também insegurança sobre como aplicar a tecnologia em situações reais”, avalia o fundador e CEO do Grupo MoveEdu, Rogério Gabriel.
Quais ferramentas de IA o jovem mais conhece?
O ChatGPT lidera com folga: 78% dos jovens já usaram ou conhecem a ferramenta, seguido pelo Google Tradutor (77%), Siri ou Alexa (49%), ferramentas de imagem ou vídeo com IA (41%) e Canva com IA (37%). Apenas 4% dizem não conhecer nenhuma dessas ferramentas.
O repertório é concentrado em poucas marcas — um sinal de que a maioria dos jovens ainda não tem contato com o ecossistema mais amplo de IA (como Gemini, Copilot ou ferramentas voltadas a produtividade profissional), o que reforça a lacuna de letramento em IA aplicada ao trabalho.
O que o jovem quer aprender sobre IA?
O interesse é alto e concentrado em aplicação prática. 48% dos jovens querem aprender a usar IA para estudar melhor, 48% para aplicar no mercado de trabalho, 38% para empreender e 35% para criar conteúdo. Um terço (33%) marcou “tudo isso”.
Isso mostra que o interesse do jovem não é técnico ou teórico, mas sim é funcional. Ele quer saber como a IA se traduz em resultado: nos estudos, no emprego ou no próprio negócio.
Em quais áreas o jovem acha que a IA mais pode ajudar?
Marketing e redes sociais lidera (61%), seguido por tecnologia e programação, análise de dados (58%) e design ou criação de conteúdo (56%). Administração e gestão aparece com 39%, vendas e atendimento com 34%, educação com 28% e saúde com 17%. Apenas 9% dizem ainda não saber.
A percepção do jovem está alinhada com o que mostram os estudos mais recentes sobre o mercado de trabalho brasileiro. Segundo levantamento do FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), publicado em abril de 2026, quase 30 milhões de trabalhadores brasileiros — 29,6% da população ocupada, estavam em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre de 2025, e os efeitos aparecem concentrados justamente entre jovens de 18 a 29 anos, com impacto observado tanto na ocupação quanto na renda desse grupo.
Quais os maiores obstáculos do jovem para se profissionalizar?
Falta de tempo ou acúmulo de tarefas é o obstáculo mais citado (41%), seguido por não saber por onde começar (37%) e falta de dinheiro para fazer cursos (31%). Falta de acesso à internet ou computador aparece em 10% das respostas, e falta de apoio da família ou da escola em 7%.
Vale destacar: nenhum desses obstáculos é “falta de interesse”. O gargalo do jovem está em tempo, direção e recurso financeiro e não em motivação. Esse é um dado relevante para quem pensa em investir em educação com IA: existe uma demanda represada e um público disposto a aprender, desde que a barreira de entrada — tempo e custo — seja resolvida por um modelo de negócio bem desenhado.
Por que quase 3 em cada 4 jovens não acompanham nada sobre IA?
Este é talvez o dado mais revelador da pesquisa: 74% dos jovens afirmam não seguir nenhum canal sobre o que acontece no mundo da inteligência artificial. Esse distanciamento ajuda a explicar por que jovens brasileiros e inteligência artificial ainda parecem dois mundos separados. Entre os que seguem algo, os canais mais citados são perfis de influenciadores no Instagram, YouTube e TikTok — ainda assim, cada um desses grupos representa menos de 1% do total de respostas.
Existe, portanto, uma lacuna de informação evidente: o jovem já usa IA, já tem curiosidade sobre o tema e já quer aprender mais, mas não tem hoje uma fonte de referência que acompanhe de forma consistente.
O que esses dados revelam sobre jovens brasileiros e inteligência artificial?
Juntando os números, o retrato do jovem brasileiro é consistente: alto contato inicial com IA, baixa profundidade de uso, alto interesse em aprender e quase nenhuma fonte de informação confiável acompanhada. Isso posiciona a educação profissionalizante como uma ponte natural entre a curiosidade do jovem e o uso qualificado da tecnologia.
O momento é especialmente propício: o mercado de trabalho brasileiro está aquecido, mas seletivo, cenário já mapeado em outro levantamento sobre o déficit de profissionais qualificados no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego entre jovens de 18 a 24 anos caiu para 11,4% no quarto trimestre de 2025, a menor taxa da série histórica, mas ainda mais que o dobro da taxa geral do país.
Perguntas frequentes
A maioria dos jovens em formação profissionalizante já usa inteligência artificial?
Sim. Segundo a pesquisa, cerca de 87% dos jovens entrevistados já tiveram algum contato com ferramentas de IA, principalmente ChatGPT e Google Tradutor, embora o uso diário e intencional ainda seja minoritário.
O jovem acredita que IA ajuda a conseguir emprego?
Parte considerável acredita, mas a maioria está em dúvida: 34% dizem que sim, com certeza, e 36% dizem que talvez ajude — uma sinalização de que falta conexão clara entre domínio de IA e resultado profissional.
Quais ferramentas de IA o jovem mais conhece?
ChatGPT (78%), Google Tradutor (77%) e Siri ou Alexa (49%) são as mais citadas, o que mostra um repertório ainda concentrado em poucas ferramentas de uso geral.
A inteligência artificial vai substituir os empregos dos jovens que estão se profissionalizando agora?
Não é esse o consenso entre especialistas. Estudos como o da OIT indicam que a IA generativa tende a transformar tarefas e funções, e não eliminar empregos inteiros — o que reforça a importância de o jovem aprender a usar a tecnologia como ferramenta de trabalho, em vez de evitá-la.
Em quais profissões o jovem brasileiro acredita que a IA mais vai ajudar?
Marketing e redes sociais, tecnologia e design ou criação de conteúdo são as três áreas mais citadas pelos jovens da pesquisa, o que dialoga diretamente com as funções apontadas como mais expostas à IA em levantamentos do mercado de trabalho.
Conclusão
A relação entre jovens brasileiros e inteligência artificial mapeada pela pesquisa é clara: um jovem curioso, mas com acesso limitado a informação e formação estruturada sobre o tema. Ele já usa a tecnologia, mas de forma superficial; já se pergunta se isso vai impactar sua carreira, mas ainda não tem certeza; e, sobretudo, não tem hoje uma fonte de referência sobre o tema.
É justamente esse tipo de lacuna que a educação profissionalizante do Grupo MoveEdu busca preencher — conheça as marcas do Grupo MoveEdu e entenda qual delas faz mais sentido para o seu perfil de investimento.
Tags:
pesquisa
Carolina Beggo



